Aulas-extra até ao final do ano

Alunos prejudicados pelos atrasos nos concursos e que só tiveram professor em Novembro, estão com aulas de compensação até Maio: em média, mais uma hora semanal. Mas só nos anos em que há exame e a Português e Matemática. O resto das matérias foi dada a correr.

Milhares de aulas a mais e muito mais trabalho. É o que está a ser exigido aos alunos que só tiveram os professores todos em Novembro, dois meses depois do início do ano lectivo,devido aos problemas nos concursos. Mas este esforço suplementar – pelo menos uma hora a mais de aulas por semana até ao final do ano – está a ser realizado apenas pelos alunos do 4.º, 6.º e 9.º anos e do secundário e nas disciplinas sujeitas a exame nacional. Para os restantes, e nas disciplinas onde não há provas finais, a matéria ficou por dar ou foi reprogramada e leccionada a grande velocidade, apurou o SOL.

«Claro que estes alunos nunca estarão em pé de igualdade com os outros, pois a matéria não foi bem consolidada. Mesmo com aulas-extra, estamos a minimizar os danos», disse ao SOL José Lemos de Sousa, director do Agrupamento de Escolas Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim. Nesta escola, onde estiveram em falta 12 professores, o director diz que os estudantes responderam bem, e compreenderam que não havia outra maneira de dar a matéria sem ser sobrecarregar o horário. «Mas repor todas as aulas em falta, em todas as disciplinas, seria impensável», diz.

No Agrupamento de Escolas de Benfica, em Lisboa, este esforço suplementar também ainda está em curso e só deverá terminar em Maio, quando se realizam os exames do 4.º e 6.º anos, de Português e Matemática, em que sai a matéria toda do ciclo que termina. «Os principais problemas foram no 6.º e no primeiro ciclo, pois no secundário há mais professores do quadro», afirma o director, Manuel Esperança. Ou seja, os cerca de 30 professores que só chegaram em Novembro eram contratados que foram afectados pelos problemas da Bolsa de Contratação de Escola, que tinha um erro.

O director do Agrupamento de Benfica acredita que os professores vão conseguir cumprir o programa. Mas critica a sua extensão, principalmente no secundário onde, mesmo num ano normal, «já há matéria a mais».

1º ciclo reforçou Português e Matemática

No primeiro ciclo não houve reforço de aulas. «São muito pequenos e não quisemos sobrecarregá-los. Mas foi roubado tempo às expressões para reforçar o Português e a Matemática», explica Manuel Esperança.

No total da escola, as duas turmas do 6.º ano e a do 9.º que viram os professores chegar mais tarde têm mais 90 minutos de aulas por semana. No 11.º ano, está em curso um reforço de 45 minutos. Aqui não houve aulas ao sábado nem nas férias, como chegou a ser ponderado por algumas escolas.

Ministério paga 1.290 horas extraordinárias

O reforço das aulas foi feito de duas formas: alargando o horário dos docentes sem horário completo e pagando horas extraordinárias aos do quadro que já tinham a componente lectiva preenchida.

Segundo dados enviados ao SOL pelo Ministério da Educação e Ciência, foram pagas 1.261,5 horas a mais, num total de 123 agrupamentos. Foram ainda utilizadas no reforço destas aprendizagens 333 horas de crédito já concedidas às escolas no início do ano. Contudo, as aulas-extra serão muito superiores a este número, pois as escolas não carecem de autorização da tutela para completar o horário dos contratados e foi essa a opção na maioria das situações.

Apesar de ter sido avançada por uma confederação de pais como uma solução, a suspensão dos exames não faz sentido, dizem os professores ouvidos pelo SOL.

Preocupação com o próximo ano lectivo

Seis meses depois do arranque do ano – o mais conturbado da última década –, os pais também consideram que «a pressão sobre os alunos é muito maior. Jorge Ascensão, presidente da Confap, deixa outra crítica: «a excessiva preocupação da escola em cumprir metas e dar o programa. Mesmo que a consequência seja o chumbo». Para os pais, a preocupação estende-se aos próximos anos: «Os alunos vão ficar com falhas graves, mesmo os que não ficarem retidos».

Filinto Lima, vice-presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos de Escolas Públicas, reconhece este risco. Mas diz que o importante agora é programar o próximo ano para que o problema não se repita. «O ideal era que os professores estivessem colocados em Setembro», diz. Para isso, «era importante antecipar os concursos para Junho ou Julho».

In Jornal SOL

 

 

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