Bullying não pode ser confundido com agressividade e escolas devem fazer prevenção

A psicóloga Sónia Seixas recomendou hoje, em Coruche, a realização de acções de sensibilização nas escolas sobre bullying e ciberbullying, que ajudem a «desconstruir» as dinâmicas dos agressores e a ideia errada de que é «agressividade normal».

A docente da Escola Superior de Educação de Santarém (ESES), com doutoramento sobre “Comportamentos de ‘bullying’ entre pares – bem-estar e ajustamento escolar”, foi uma das oradoras do primeiro dia do “Fórum Educação e Acção Social – A Família e a Escola, dificuldades actuais”, promovido pelo município e pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Coruche.

“É preciso perceber que o ‘bullying’ é errado. Não é agressividade normal”, alertou Sónia Seixas, identificando três características que permitem distinguir um comportamento que exige intervenção: haver intenção de provocar sofrimento, desigualdade de poder (um intimidador e um subjugado) e repetição.

Para Sónia Seixas, é muito importante a consciencialização dos pares, frisando que, muitas vezes, não existe a consciência de que, numa situação de ‘bullying’, os pares com o papel de “observador externo”, “possível defensor” e “defensor” são “a grande maioria na escola” e que “podem fazer a diferença, mostrando que não concordam com o abuso”.

A intervenção na escola, nomeadamente com recurso ao teatro – de que deu o exemplo da peça “Macacos e Pombos”, da associação de intervenção social “Usina” – reforça a “responsabilidade partilhada”, fornece “técnicas ‘anti-bullying’” e ajuda a “capacitar” a vítima, para que esta não pareça vulnerável perante o agressor.

Sónia Seixas distinguiu o ‘bullying’ do ‘ciberbullying’, um “fenómeno novo” do qual é difícil escapar, por não acontecer num lugar específico nem num horário limitado, e que, por não ser presencial, pode assumir uma gravidade maior, tanto porque o agressor, sem oportunidade de empatia, pode não se dar por satisfeito e prosseguir e até aumentar o abuso, como porque não há testemunhas.

Segundo a docente da ESES, as primeiras manifestações de ‘bullying’ surgem no primeiro ciclo do ensino básico, com um carácter mais físico e verbal, vão aumentando com a idade, atingindo um pico no terceiro ciclo, quando assumem um carácter relacional. No secundário, há menos casos, mas os que existem são de maior intensidade e essencialmente de carácter sexual e com recurso às novas tecnologias.

A questão da segurança digital foi abordada por João Galego, também docente da ESES e membro da equipa SeguraNet, que alertou para alguns riscos do uso da Internet e para a necessidade de adopção de “boas práticas”, como o uso de senhas seguras, sair de todas as ligações ou mesmo alterar o nome da rede e das senhas no acesso instalado em casa.

João Galego referiu alguns exemplos de ‘phishing’, como emails simulando páginas de bancos para acesso a dados pessoais ou publicidade de ofertas que pedem o número de telefone para chamadas de valor acrescentado e, no caso das compras electrónicas, recomendou a criação de cartões fictícios no MBNet para pagamentos.

In Diáriodigital

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