Os pontos fracos dos alunos do 4.º e 6.º anos a português e matemática

Educação literária e leitura, organização e tratamento de dados e números e operações foram os domínios em que os alunos do básico mais falharam nas provas finais. Ainda assim resultados melhoraram.

Os alunos do 4.º e 6.º anos mostraram, como habitual, melhor desempenho a português do que a matemática nas provas finais, cujos resultados foram divulgados esta terça-feira. Mas em ambas as disciplinas houve domínios onde os alunos revelaram maiores fragilidades.

Olhando para os dados enviados às redações pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) percebe-se que o domínio em que os alunos mais tiveram dificuldades na prova de português no 4.º ano foi em educação literária (tendo conquistado apenas 59% dos pontos que podiam ter ido buscar a estas questões). Já no 6.º ano foi no domínio da leitura onde mais fraquejaram (os alunos conseguiram, em média, pouco mais de metade – 52% – da pontuação total). “Isso é o normal”, afirmou ao Observador Filomena Viegas, da Associação de Professores de Português.

Nas provas de matemática, os pontos fracos saltam ainda mais à vista. No 4.º ano o maior problema ocorreu nos itens relacionados com a organização e tratamento de dados (estatística). Em média, os alunos não conseguiram atingir nem metade (47%) da pontuação correspondente a este domínio de aprendizagem. No 6.º ano as maiores dificuldades foram reveladas nas questões relacionadas com o domínio dos números e operações (cálculos com frações, números decimais, entre outros). Em média, os alunos só somaram 39% do total de pontuação possível nestes itens.

Lurdes Figueiral, da Associação Nacional de Professores de Matemática, afirmou ao Observador que, em geral, os alunos até costumam ter “bons resultados na organização e tratamento de dados”. O problema é que este ano os professores ficaram com a ideia que este tipo de questão não iria surgir na prova porque o guia das provas referia que não iria sair nenhuma questão destas do 4.º ano. “O problema é que saiu uma pergunta que os alunos não estavam à espera, que dizia respeito a conteúdo lecionado no 3.º ano”, explicou Lurdes Figueiral.

O próprio IAVE, em comunicado, sublinha que este domínio da organização e tratamento de dados, no 4.ºano, “fica marcado, em 2015, por um valor anormalmente baixo em comparação com os de anos anteriores, o que se explica pela percentagem de acerto inferior a 10% num dos itens que integravam este domínio”, explicou o instituto.

No caso do desempenho nos diferentes domínios da matemática no 6.º ano, os “resultados não diferem muito dos de 2014, registando-se a maior variação no domínio Números e Operações [em 2014 os alunos alcançaram 53% do total de pontos possíveis] e no domínio Geometria e Media [que melhorou em 2015]”, frisou o instituto.

Há três “possíveis causas para estas variações”, segundo o IAVE: “a especificidade dos itens que contribuem para a valorização relativa de cada domínio no conjunto da classificação global da prova”, “o reduzido número de itens que contribuem para o valor obtido em alguns dos domínios” e “as recentes alterações curriculares”.

Resultados nas provas melhoraram, mas matemática continua com muitas negativas

Dificuldades à parte, as médias nas provas finais de 4.º e 6.º anos melhoraram tanto a português como a matemática, quando comparadas com as de 2014.

“Os resultados vão ao encontro da nossa previsão, quando fizemos o parecer das provas. Estas provas foram feitas para que os meninos não tivessem maus resultados. Eram mais fáceis do que as de 2014, que por sua vez já foram mais fáceis do que as de 2013. E não tira nada da qualidade da prova”, reagiu Filomena Viegas, da Associação de Professores de Português.

Mas nem tudo são rosas: a português as negativas rondaram os 14% e 23%, em cada um dos respetivos anos. A matemática o cenário foi bem mais negro: perto de um terço dos alunos do 4.º ano tiveram negativa e o mesmo aconteceu a quase metade dos alunos do 6.º.

“Estes resultados em termos de aprendizagens dos alunos significam muito pouco. Não significam praticamente nada”, defendeu Lurdes Figueiral, que considera que estas provas não fazem “qualquer sentido”.

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