Adiamento de provas divide professores

Quando o ministro da Educação voltou atrás na decisão e anunciou que as provas de aferição não seriam obrigatórias já este ano letivo, foram várias as vozes da oposição que se manifestaram publicamente contra a «incapacidade de ação» do ministro, como na altura lhe chamou a presidente do CDS, Assunção Cristas.

As provas de aferição só serão obrigatórias no próximo ano letivo, mas o Ministério espera que o façam já este ano. Diretores garantem que as opiniões estão divididas e que a maioria não vai avançar com os exames do 4.º e 6.º anos.

Mas não foi só no Parlamento que as opiniões se dividiram entre quem apoiava ou não a decisão do Governo: nas escolas, também não havia uma posição única. E apesar de criticarem a instabilidade que o ‘vai e vem’ do Ministério poderia causar, os diretores contactados pelo SOL admitiram ver vantagens na realização de provas este ano, ainda que sem peso na nota final.

No entanto, quando falta uma semana para apresentarem ao Ministério a decisão final – recorde-se que as escolas que, mediante devida fundamentação, considerem não ter condições para realizarem as provas de aferição devem comunicar a decisão ao Júri Nacional de Exames até 30 de abril –, a expectativa dos diretores já não é tão otimista.

Os contactos que tem feito com outros colegas levam Manuel Pereira a admitir que a maioria dos professores está contra a realização das provas este ano. O presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares não tem dúvidas na hora de assumir uma posição que acredita ser geral: «Não se mudam as regras a meio de um jogo». O diretor do agrupamento Serpa Pinto de Cinfães ainda não tomou a decisão final quanto ao que vai ser feito na escola que dirige e, até aí, continua a ouvir os pais e os professores. «O ano letivo foi pensado de outra forma que não esta», admite, lembrando que tem assistido a casos de «alunos angustiados» com as mudanças, «principalmente os do 5.º ano, que ainda no ano passado fizeram exame».

Ministério gostaria que as provas fossem feitas

Para estes casos em específico, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), vai mais longe e garante estar à vontade para dizer que a maioria das escolas vai optar por não fazer os exames do 4.º e 6.º anos. «Se para o ano não se vão realizar, para quê estar a fazê-los agora?». Como tal, no agrupamento que dirige – Dr. Costa Maia, em Vila Nova de Gaia – o conselho pedagógico já decidiu que vão fazer as provas de aferição dos 2.º, 5.º e 8.º anos, mas deixam de lado os exames do 4.º e 6.º. Em termos gerais, o professor acredita que os resultados serão bastante divididos, «mas talvez sejam mais as escolas que optam por não fazer». No entanto, alerta que, seja qual for a decisão das escolas, não se dê início a uma chuva de críticas: «Ninguém tem que apontar o dedo a ninguém».

A secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, tinha já admitido no Parlamento que, apesar de a decisão ser individual, o Ministério da Educação «tem uma preferência para que as provas se realizem». Ao SOL, o ministério confirma esta preferência e encara a realização das provas de aferição como «um direito dos alunos» e que o resultado dessas provas «permite melhorar o trabalho que as escolas fazem».

Com base nas reuniões e interações com diretores e professores, o ministério está em condições de garantir que as escolas concordam com o novo modelo curricular. «As escolas têm-se sistematicamente revelado preocupadas e a trabalhar com vista a que os seus alunos tenham mais sucesso escolar», lê-se ainda na resposta enviada ao SOL.

O ministério lembra que as escolas podem decidir não realizar as provas até ao final do mês, acedendo a um formulário online no qual apresentam o respetivo fundamento.

Jornal SOL

 

 

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