Mais de 80% dos alunos do 8º ano com dificuldades a Ciências e Físico-Química

Os resultados das novas provas de aferição mostram ainda enormes problemas no 5º ano a Matemática e Ciências Naturais e dificuldades a História. No 2º ano, a escrita é o calcanhar de Aquiles, com 71% dos alunos a terem dificuldades na redação de um texto

Resultados muito fracos e preocupantes. É o mínimo que se pode dizer da generalidade dos desempenhos dos alunos do 5º e 8º anos nas áreas testadas no último ano letivo pelas novas provas de aferição, que se realizam a meio dos três ciclos do ensino básico e que vão abranger, de forma rotativa, todas as disciplinas.

Tanto a História e Geografia como a Matemática e Ciências Naturais, testadas no 5º ano, assim como a Ciências Naturais e Físico-Química e a Português, avaliados no 8º, houve domínios em que a percentagem de alunos a responder sem falhas andou entre os 1% e os 5%.

No 2º ano os resultados foram melhores, mas também há sinais de alerta no Português, com a maioria das crianças a ter dificuldades nos exercícios de escrita (71% tiveram desempenhos abaixo do que é esperado neste nível de ensino) e de gramática (aconteceu com 61%).

“Ninguém pode ficar tranquilo”

Depois de um primeiro ano em que as provas de aferição – criadas como alternativa aos exames nacionais de Português e de Matemática do 4º e 6º – só se realizaram nas escolas que quiseram, no último ano letivo todos os alunos do 2º, 5º e 8º anos tiveram de as fazer. Apesar de não contarem para a sua nota final, os testes servem como diagnóstico. E o diagnóstico não é bom. “O meu primeiro comentário é de preocupação. Ninguém pode ficar tranquilo quando tem um conjunto alargado de alunos que não estão a aprender com qualidade. Isso deve inquietar-nos a todos”, comenta o secretário de Estado de Educação, João Costa.

As provas de aferição são descritivas e não apresentam notas. Cada aluno fica a saber, para cada domínio testado, se conseguiu responder de forma acertada, se conseguiu mas com algumas falhas, se revelou várias dificuldades ou se não conseguiu responder. Simplificando, pode-se dizer que as duas primeiras classificações correspondem a uma avaliação positiva e as duas últimas a avaliações negativas. Os relatórios individuais e os relatórios elaborados para cada escola, com o comparativo por turmas e com dados também a nível regional, já chegaram aos professores. Agora, o Ministério da Educação divulga os números nacionais.

Em 2016/17, cerca de 100 mil alunos do 8º ano foram chamados a prestar provas a Ciências Naturais e Físico-Química (a realização de testes que juntam duas disciplinas é também uma novidade no sistema). Nos três domínios avaliados, “mais de 80% dos estudantes revelaram dificuldades nas respostas ou não conseguiram dar uma resposta apropriada” , lê-se no relatório do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE). Por exemplo, nas perguntas que remetiam para o domínio a “Terra no espaço”, apenas 1,3% dos alunos responderam sem falhas. E 71% não conseguiram responder de acordo com o esperado ou deixaram os exercícios em branco.

O desconhecimento do início da História de Portugal

No teste de Português do 8º ano cerca de 70% dos alunos revelaram dificuldades na gramática e outros tantos na escrita, confirmando os problemas sentidos logo no 2º ano.

Naquela que foi também a primeira avaliação do que estão os alunos do 5º ano a aprender a História e Geografia de Portugal, os resultados apontam para falhas graves na aprendizagem de muitos alunos, sobretudo no domínio “Portugal do século XIII ao século XVII”: só um em cada cinco conseguiu responder bem ou com poucas falhas.

Qual é a esquerda, qual é a direita?

Já em relação aos do 2º ano, o cenário não é tão dramático. Na estreia das provas práticas a expressões artísticas e físico-motoras, os alunos saíram-se bastante bem. A exceção aconteceu no domínio “jogos infantis”. Na prova deste ano, os alunos tiveram de jogar ao “rabo da raposa”, um jogo de equipas em que tentam tirar os lenços presos na parte de trás dos calções ou calças dos colegas. Apenas 12% dos alunos tiveram uma avaliação sem reparos, quer em relação ao cumprimento das regras, quer das ações de perseguição e esquiva.

Outras das dificuldades evidenciadas, neste caso a Estudo do Meio, prendeu-se com a identificação da esquerda e da direita. Quase metade dos alunos não conseguiram fazer bem o exercício que consistia em traçar um itinerário numa planta e outros 25% revelaram dificuldades.

Matemática: os alunos pioram com os anos

Ainda no 2º ano, os resultados foram razoáveis a Matemática e mais uma vez ficou evidente que pioram à medida que os alunos avançam no sistema ou que a matéria fica mais complicada.

Basta ver como se saíram os estudantes do 2º e do 5º nos domínios que são comuns: quase 70% dos alunos do 2º ano conseguiram responder sempre bem ou apenas com algumas falhas nos exercícios relativos a “números e operações”. Já no 5º ano, a percentagem foi de uns escassos 13%. Passando para o domínio “geometria e medida”, as percentagens de “conseguiram responder de acordo com o esperado” e de “conseguiram mas podem melhorar” foram de 62% no 2º ano, mas de apenas 18% no 5º ano. Já no tema “organização e tratamento de dados”, passa-se de 66% de acerto para 15%.

No caso das Ciências Naturais do 5º ano, os dois domínios em avaliação registaram respostas de “conseguiu” e “conseguiu mas pode melhorar” abaixo dos 50%. No capítulo “A água, o ar, as rochas e o solo” ficou-se pelos 15%

Este ano letivo haverá mais provas: no 2º ano são as mesmas, mas no 5º será a vez de Português e de Educação Musical, Visual e Tecnológica e no 8º de Matemática, Educação Física e Educação Visual.

Fonte: Jornal Expresso

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